É de conhecimento de todos que a estrutura logística do Brasil é um gargalo que reduz a competitividade dos seus produtos como um todo. Portos sem infra-estrutura adequada, rodovias mal conservadas e um sistema ferroviário ineficiente, dentre outros, diminuem a capacidade dos produtos brasileiros competirem no exterior. Nesse sentido, a cotonicultura no estado da Bahia, segundo maior produtor de algodão do país, e que responde por 15% das exportações brasileiras do produto, também não foge à regra dos problemas logísticos.
Segundo as pesquisadoras Sheila Cristina Ferreira Leite e Margarida Garcia Figueiredo, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), em seu artigo “Fluxo de algodão em pluma para exportação no Estado da Bahia: uma aplicação de programação linear”, apresentado no último Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (SOBER), a quantidade de algodão exportada pelo estado não é escoada pelos Portos baianos em razão da falta de infra-estrutura logística do estado. O estudo teve como objetivo identificar a melhor alternativa de escoamento do algodão baiano destinado à exportação.
A precariedade de infra-estrutura de transportes e logística do país tem aumentado significativamente os custos de escoamento da produção agrícola destinada ao mercado externo. Um dos gargalos encontra-se na má integração entre os meios de transportes disponíveis. As pesquisadoras também avaliaram alternativas para a redução dos custos de escoamento do algodão baiano utilizando diferentes cenários.
As autoras identificaram que o estado de conservação das rodovias estaduais na Bahia é bastante crítico, sendo um dos fatores que comprometem o potencial logístico do estado. Segundo o estudo, apenas 56% das rodovias estaduais são pavimentadas. Com relação à estrutura portuária do Estado, o estudo observou que apesar da existência de três portos no estado, somente no ano de 2005 observou-se um pequeno volume de algodão escoado através do Porto de Salvador.
O estudo construiu cinco cenários a partir da utilização de matrizes de origem-destino, alimentadas com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Agrário (MDIC), do Sistema de Informação de Fretes (SIFRECA) e dados do Centro de Estudos de Pesquisa em Economia Aplicada (CEPEA). Todos os dados são referentes ao ano de 2004.
O primeiro cenário avaliou o fluxo dos 10 municípios da Bahia produtores de algodão para os portos de Paranaguá, Santos e Vitória. Já o segundo, além dos portos já citados, inclui como destino os portos de Aratu, Ilhéus e Salvador.
Pelos resultados da simulação das pesquisadoras, os outros três cenários serviriam para avaliar qual seria o melhor porto baiano para se implantar a infra-estrutura necessária para o escoamento de algodão, utilizando um conjunto de quatro destinos: Paranaguá, Santos, Vitória e em cada um dos cenários os portos baianos (Aratu, Ilhéus e Salvador).
No primeiro cenário, considerando-se apenas o objetivo de minimizar o custo de escoamento, sem investimento em infra-estrutura, o modelo apontou a utilização dos Portos de Santos e de Vitória como a melhor alternativa para o escoamento do algodão baiano, apresentando uma redução no custo de escoamento de 2,08% em relação ao ano de 2004, no qual foram utilizados os Portos de Paranaguá, Santos e Vitória para escoamento da safra de algodão para exportação. “O custo portuário no Porto de Paranaguá é cerca de 22% superior ao do Porto de Santos, desta forma, uma redução do custo portuário no Porto de Vitória resultaria no escoamento total das exportações baianas por este porto, uma vez que as distâncias dos municípios produtores são menores com relação ao Porto de Vitória”.
Para o segundo cenário, que considerou a implantação da infraestrutura necessária para exportação de algodão nos três portos da Bahia, as pesquisadoras observaram uma significativa redução em relação aos custos atuais (28,39%) se comparado ao gasto com o escoamento do algodão pelos portos de Paranaguá, Santos e Vitória. Com relação ao primeiro cenário a redução observada foi de 26,87%. Os portos utilizados seriam os de Aratu e Ilhéus, sendo que a produção do Oeste baiano é enviada para Aratu, enquanto a produção da microrregião de Guanambi é enviada para Ilhéus.
Já para os demais cenários observou-se que o maior custo de implantação da infra-estrutura necessária para o escoamento do algodão seria o Porto de Ilhéus. Já o menor custo de escoamento poderia ser obtido implantando a infra-estrutura no Porto de Aratu.
Diante desses resultados as autoras chegaram a conclusão de que a melhor alternativa para escoamento do algodão em pluma baiano seria o Porto de Aratu, uma vez que é o porto mais apropriado para receber a produção oriunda do Oeste Baiano, região responsável por 87,65% da produção de algodão do estado.
Em linhas gerais, as pesquisadoras, considerando a representatividade da Bahia na cotonicultura brasileira, destacam a importância de investimentos na infra-estrutura dos portos baianos. Isso resultaria na diminuição dos custos relacionados à logística do transporte de algodão para exportação e conseqüentemente aumentaria a competitividade do produto no mercado externo.
Raquel Bazzo
Fonte - Algodão.agr.br