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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Crise nos EUA pode prejudicar acordo com o Brasil na área de algodão

"Com tantos cortes que estão sendo feitos no orçamento, fica mais difícil justificar o envio anual de US$ 147 milhões ao Brasil"

A deterioração da economia americana fez o governo e o setor produtivo brasileiro acenderem uma luz amarela na questão do contencioso do algodão. "Com tantos cortes que estão sendo feitos no orçamento, fica mais difícil justificar o envio anual de US$ 147 milhões ao Brasil", considerou o coordenador de contenciosos do Itamaraty, conselheiro Celso de Tarso Pereira.

Esses recursos fazem parte de um acordo com os Estados Unidos e são direcionados a um fundo de apoio à cotonicultura brasileira. O acerto foi um paliativo encontrado para evitar que o Brasil adote uma retaliação cruzada contra os americanos, medida que já foi aprovada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por conta dos subsídios ilegais concedidos aos produtores de algodão daquele país.

Apesar de a Câmara dos Estados Unidos ter aprovado a suspensão do pagamento dessa compensação, a expectativa é a de que a situação se reverteria no Senado. "Tradicionalmente, o Senado é mais atento à política externa", considerou o conselheiro.

Essa também era a avaliação do setor produtivo, mas com o acordo feito para tirar os Estados Unidos de uma situação de calote, com a promessa de forte corte de gastos, a análise mudou. "Acendemos a luz amarela. Se vão cortar até dinheiro da merenda das crianças, o que esperar em relação ao Brasil?", questionou o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha. O instituto foi criado justamente para gerenciar os recursos, que já somam cerca de US$ 200 milhões.

Para Pereira, faz sentido que o setor produtivo acenda a luz amarela, mas ele diz preferir acreditar que a situação se resolverá no Senado. Até porque, salientou, qualquer opção a ser adotada nos Estados Unidos que não seja o envio dos recursos sairá mais cara para o país. Mesmo assim, por uma questão estratégica, de timing em função do grave momento atual, ou até por conta da possibilidade de o Brasil não ser tão ferrenho em seu contra-ataque, já há parlamentares americanos fazendo os cálculos sobre os ganhos e as perdas de cada possibilidade, conforme informam observadores brasileiros que estão naquele país.

Cautela

"Acompanhamos com cautela as explicações aos parlamentares sobre uma eventual cessação da remessa do dinheiro", disse o conselheiro. "Se isso for feito, será um descumprimento e então veremos o que vamos fazer", acrescentou. Ele lembrou que uma decisão desse caráter implicaria em um descumprimento acertado com a maior autoridade do comércio no globo e que isso deverá ser levado em conta pelos americanos. "Nunca se sabe, vamos ficar atentos", alertou Pereira.


Cunha afirmou que além de monitorar a situação por meio de representantes do setor que estão nos Estados Unidos, os produtores vão cobrar uma postura firme do governo brasileiro, caso a verba deixe de ser repassada ao Brasil. "É importante que o Brasil mostre ao Congresso de lá que estará disposto a agir", afirmou.

Os americanos enviam US$ 12,275 milhões por mês para o IBA. O acordo prevê que as remessas continuarão até os Estados Unidos promulgarem a Farm Bill (nova lei agrícola daquele país). A expectativa é que isso ocorra em 2012. Para o Brasil contra-atacar de forma mais contundente os Estados Unidos é preciso do aval da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Fonte: IG - Economia

segunda-feira, 18 de julho de 2011

EUA evitam garantir pagamento ao Brasil no caso do algodão

Em discussões concluídas hoje no Rio de Janeiro, os Estados Unidos não deram nenhuma garantia ao Brasil sobre quando vão cumprir plenamente o acordo bilateral envolvendo o contencioso do algodão, o que inclui reduzir "significativamente" subsídios e abrir o mercado para a exportação da carne bovina brasileira.

O governo americano tem que prestar contas ao Brasil a cada três meses sobre como está reduzindo os subsídios ilegais aos seus cotonicultores, conforme o acordo pelo qual Brasília não impôs retaliação de centenas de milhões de dólares contra produtos americanos.

No Rio de Janeiro, a delegação brasileira, chefiada pelo embaixador junto a Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, cobrou esclarecimentos sobre as ameaças no Congresso, de interrupção da compensação de US$ 147 milhões anuais para cotonicultores brasileiros.

A delegação americana, chefiada pelo principal negociador agrícola do USTR, a representação comercial americana, Isi Siddiqui, disse que o governo Obama vai continuar gestões no Congresso para manter o pagamento. Mas avisou que se trata de um processo do qual que a administração não tem absoluto controle. Os negociadores “esperam” que na votação do orçamento não seja retirado o pagamento ao Brasil, mas não têm como se comprometer com isso.

O embaixador Azevedo deixou claro que, do ponto de vista do governo brasileiro, interrupção do pagamento significaria descumprir o acordo e a consequência seria o Brasil retaliar produtos americanos, como tem direito pela decisão de juízes da OMC.

Carne

Outra questão complicada é na área sanitária. Pelo acordo bilateral, os EUA prometeram colocar em consulta publica até 30 de janeiro deste ano analise de risco sobre exportações de carne bovina maturada da região livre de febre aftosa com vacinação, processo necessário para liberar a entrada do produto no mercado americano. Até agora, os brasileiros continuam esperando.

Azevedo reclamou que “a duração do processo americano é excessivo e escapa a qualquer noção de razoabilidade”. A delegação americana argumentou que o processo já saiu do Departamento de Agricultura, uma vez feita a avaliação sanitária. Mas, que agora foi para o Escritório de Gestão e Orçamento do governo para uma avaliação também do impacto econômico da abertura do mercado para a carne brasileira. Em português claro, trata-se de empurrar a decisão sempre para mais tarde.

“As conversas, por motivos óbvios, são sempre muito difíceis, mas há um esforço das duas partes para encontrar soluções que permitem manter o acordo bilateral”, resumiu o embaixador brasileiro ao final do encontro hoje no Rio de Janeiro.

Em outubro, desta vez em Washington, se o acordo ainda estiver em vigor, dependendo do que o Congresso fizer sobre o pagamento dos US$ 147 milhões, será feita uma “revisão operacional” das garantias de crédito dos EUA a exportações agrícolas. É que Washington precisa fazer até o fim de 2012 um ajuste gradual nos prêmios de garantia a exportação agrícola. No entanto, o Brasil constata que os americanos estão deixando tudo para mais tarde.

Fonte: Valor Econômico

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Câmara dos EUA derruba compensação paga ao Brasil por subsídio a algodão

Incentivo dos EUA a produtores levou a contestação do Brasil na OMC
A Câmara dos Representantes (deputados federais) dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira uma lei que prevê a suspensão do pagamento de compensação ao Brasil pelos subsídios concedidos pelo governo americano a seus produtores de algodão.
Esse pagamento foi acertado no ano passado em uma contraproposta dos Estados Unidos para evitar que o Brasil colocasse em prática o direito de retaliação autorizado pela OMC (Organização Mundial do Comércio), após uma disputa de sete anos por conta dos subsídios pagos pelo governo americano aos agricultores do setor.
Caso os Estados Unidos realmente suspendam o pagamento do fundo de compensação no valor anual de US$ 147,3 milhões (cerca de R$ 236,9 milhões), o governo brasileiro poderá retaliar.
Antes de ser adotada, a legislação ainda precisa ser votada no Senado e, caso aprovada, receber a sanção do presidente Barack Obama.
Emenda
O fim do pagamento foi proposto em uma emenda de autoria do deputado democrata Ron Kind, que representa o Estado de Wisconsin e é um crítico dos subsídios agrícolas.
O congressista defende que, em vez de pagar a compensação ao Brasil, os Estados Unidos acatem a decisão da OMC e parem de conceder subsídios a seus produtores.
A emenda proposta por Kind ganhou a adesão de congressistas que consideram o pagamento ao Brasil um desperdício em um momento em que os Estados Unidos enfrentam deficit recorde no orçamento e pressões para reduzir gastos.
A lei aprovada nesta quinta-feira não reduz subsídios à agricultura, mas traz grandes cortes em programas de assistência alimentar, tanto em território americano quanto no exterior.
Disputa na OMC
A disputa na OMC sobre o algodão americano foi encerrada em 2009, quando a organização concedeu ao Brasil – que exige o fim dos subsídios – o direito de retaliar os Estados Unidos no valor total de US$ 829 milhões (cerca de R$ 1,33 bilhão).
A retaliação seria feita por meio da cobrança de sobretaxa para a importação de determinados itens dos Estados Unidos e a possível suspensão de direitos de propriedade intelectual de alguns produtos americanos.
No entanto, como o fim dos subsídios depende de aprovação do Congresso americano, onde enfrenta resistência de vários setores, o Brasil aceitou uma contraproposta dos Estados Unidos, em um acordo assinado entre os dois países em junho do ano passado.
Além do pagamento da compensação, ficou acordada a abertura do mercado americano para importação de carne bovina e suína de Santa Catarina e o congelamento da liberação de garantias de créditos à exportação agrícola dos Estados Unidos.
Para gerir os recursos depositados pelo governo americano, foi criado o Instituto Brasileiro do Algodão. O dinheiro é investido em programas de apoio à produção de algodão brasileira.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fundo para cotonicultores receberá R$ 35 mil, diz EUA

Os cotonicultores brasileiros devem começar a ver neste ano as aplicações práticas da compensação paga pelos Estados Unidos após a vitória do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) no contencioso sobre os subsídios norte-americanos aos produtores de algodão. O Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), criado para gerir esse dinheiro, prevê publicar em dez dias as normas para aprovação de projetos e investir ainda em 2011 até R$ 35 milhões. - O IBA já tem em conta US$ 145 milhões, referentes ao primeiro ano de pagamento, e no fim do mês recebe mais uma parcela mensal de US$ 12,275 milhões. Após atrasos administrativos para sua implementação, o órgão está a definir o planejamento estratégico e as regras para financiamento de projetos.

Segundo Haroldo Cunha, ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e que agora preside o IBA, o investimento no primeiro ano deverá ser feito com cautela, de maneira escalonada, e por isso o valor previsto será baixo em relação ao que já está na conta. "Esse é o limite máximo para este ano, o que não significa que tudo vai ser usado. Isso porque teremos toda uma análise dos projetos, que vão passar por uma consultoria para verificar se estão bem fundamentados", disse. O executivo diz que a entidade trabalha com um cenário de pelo menos cinco anos de investimentos.

Cunha explicou que uma das maiores dificuldades para definir o uso do dinheiro é a restrição à aplicação em pesquisas, para combate ao bicudo, por exemplo. Essa limitação foi imposta pelos EUA para evitar competição.

Fonte: DCI

quinta-feira, 10 de março de 2011

Safras mais robustas

No Meio-Oeste americano, as precipitações poderão ser menores, mas a elevada umidade dos solos tendem a compensarArrasador em 2010, camarada em 2011. As condições de clima para a safra de cereais e grãos que começará a ser semeada a partir do fim deste mês no Hemisfério Norte deverão ser muito mais favoráveis aos agricultores.

A boa notícia se deve ao enfraquecimento do La Niña, fenômeno climático que em meados do ano passado provocou secas históricas em regiões produtoras importantes, inundações em outras, e contribuiu, assim, para quebras de safra que culminaram na mais recente escalada mundial de preços de alimentos.

Ainda que o fenômeno tenha reflexos também no Hemisfério Sul, nos centros de meteorologia o foco das atenções nos próximos três meses estará acima da linha do Equador, onde se produz mais de 90% dos cereais e grãos comercializados no mundo.

Se nenhum imprevisto climático ocorrer - e riscos sempre existem -, a expectativa é de chuvas na medida certa em grande parte de Rússia, Austrália e França, três grandes produtores de trigo bastante penalizados na temporada 2010/11.

Já nos EUA, os reflexos do La Niña que já começaram a perder força em janeiro deverão manter a precipitação um pouco abaixo do normal para o padrão local de primavera e verão. Mas isso não é exatamente ruim, dizem especialistas, já que a alta umidade do solo do Meio-Oeste americano pode compensar poucas águas.

O La Niña ocorre quando há um resfriamento das águas equatoriais do Oceano Pacífico, que desencadeia mudanças no clima como um todo. Em geral, essas mudanças representam menos chuvas nas regiões de latitudes altas em virtude dos ventos. Em latitudes mais baixas, como no trópico do Equador, chove mais.

Fenômeno oposto, mas igualmente famoso, o El Niño representa o aquecimento das águas equatoriais do Oceano Pacífico, o que implica efeitos diretamente contrários aos do La Niña.

O problema está nos chamados "fatores próximos", aqueles que têm influência direta sobre as áreas em que incidem. No ano passado, por exemplo, a expectativa de seca no Rio Grande do Sul, provocada pelo La Niña, só se concretizou na região sudoeste, na fronteira com Argentina e Uruguai, afetando os arrozais. No restante do Estado, chuvas inesperadas propiciaram o que deverá ser uma das melhoras safras de milho e soja da história do Rio Grande do Sul.

O que explica isso? Frentes frias vindas da região polar encontraram águas quentes na faixa do Oceano Atlântico que beira o Estado. O maior volume de vapor formado pelo aquecimento das águas "turbinou" a frente fria. "O que era para ser uma frente fria mirradinha ficou forte e, por causa disso, choveu bastante", explica Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, em São Paulo.

Além da passagem de frentes frias, há fatores de influência como os ventos e a própria umidade do ar - que, no caso do Brasil, é em grande parte trazida da Amazônia para o Sul. Esses fenômenos podem ocorrer isolada ou simultaneamente, mudando o tabuleiro sem que o novo quadro seja detectado com antecedência ideal.

Para alguns meteorologistas, os extremos climáticos de 2010 também devem ter sido formados pela brusca transição de uma situação de El Niño, em 2008/09, para La Niña, em 2009/10. O consenso para este ano, porém, é que o clima, seja no Hemisfério Norte ou no Sul, terá "situação neutra".

"Como as simulações não são claras, trabalhamos com duas opções: o La Niña terminando no inverno [até julho] ou indo até o fim do ano, de forma fraca", diz Oliveira. "Então, as safras que já estão ou começarão a ser plantadas terão alguma influência do La Niña, ainda que mínima".

No ano passado, o fenômeno provocou queda acima do normal na temperatura no norte dos EUA e seca no Sul, afetando o Texas, maior produtor de algodão do país. Como o La Niña tende a abaixar a temperatura, é possível que os EUA tenham problemas para o plantio de milho, em abril, e de soja, em maio, alerta Paulo Etchichury, da Somar Meteorologia, o que pode atrasar um pouco o plantio. "Tudo vai depender de a temperatura ficar baixa ou não", diz.

Na Austrália, o excesso de chuvas no leste em 2010 reduziu a colheita de cana para 3,6 milhões de toneladas, menor nível em duas décadas, e lavou a terra das sementes de outras culturas que já tinham sido semeadas. Mas encheu as represas utilizadas nas lavouras de algodão, plantado em novembro para ser colhido em abril.

Com o fim do pico do La Niña e a esperada alta na produtividade agrícola - o cenário deverá beneficiar também a safrinha de milho no Brasil -, especialistas internacionais preveem recuo na inflação dos alimentos. Em relatório divulgado na semana passada, Andrew Garthwaite, do Credit Suisse, avalia que os lucros robustos recentes, na esteira dos preços altos, devem encorajar os produtores a ampliar o plantio.

Garthwaite lembra que bons preços geram investimentos e produtividade - e o milho, por exemplo, subiu mais de 90% na bolsa de Chicago em 12 meses. Mas realça, segundo a Bloomberg, que a inflação dos alimentos poderá não cair se as previsões falharem e o La Niña durar mais que o previsto, já que ainda há preocupação com a extensão do impacto da seca de 2010 sobre o plantio de inverno na Rússia e na Ucrânia.

Fonte: Valor Econômico

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Produtores de algodão em confronto nos EUA

As maiores tradings mundiais de algodão e agricultores do Texas estão em conflito por problemas com o fornecimento, em um momento em que o preço do produto chega a seu maior patamar histórico. Os negociantes que compram algodão das planícies que rodeiam a cidade de Lubbock, a oeste do Texas, acusam alguns produtores de desistir de contratos assinados quando a cotação era menos do que metade do nível atual.

A disputa levou a processos, a pedidos de arbitragem e à criação de uma linha de telefone para acusações anônimas.

Como os EUA são o maior exportador de algodão do mundo, o problema poderia repercutir nos mercados internacionais, uma vez que as empresas têxteis em países como China, Bangladesh e Turquia lutam para conseguir o algodão em meio à queda da oferta. Em 2010, o Texas foi responsável por 44% da safra de 18,3 milhões de fardos de algodão nos EUA.

O conflito coloca em evidência os riscos enfrentados pelas grandes tradings de commodities - como a Louis Dreyfus, da França, Cargill, dos EUA, Olam International, de Cingapura, Noble Group, de Hong Kong, e Ecom Agroindustrial, da Suíça - quando compram, vendem e transportam algodão entre continentes.

Na semana passada, os preços do algodão subiram para uma cotação recorde superior a US$ 2 por libra-peso em Nova York. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê que os agricultores receberão em média US$ 0,80 por libra-peso pela safra de 2010.

As tradings dizem ter ficado de mãos vazias após alguns poucos agricultores terem se recusado a concluir promessas de vendas.

"A maioria dos produtores fez a coisa honrada a se fazer", disse Mike Patranella, em nome da Associação de Algodão do Texas (TCA, na sigla em inglês), um grupo que representa as tradings. "Só que essa porcentagem muito pequena que não cumpriu o que o contrato a obrigava criou muita confusão nesses mercados tão voláteis." A TCA criou uma "linha [telefônica] de relatos sobre a integridade do algodão" para informantes que indiquem produtores que supostamente estariam deixando de cumprir contratos de fornecimento. A recompensa pelas informações é de US$ 2,5 mil para cima.

Documentos judiciais mostram que a Louis Dreyfus, onde Patranella trabalha, processou em janeiro pelo menos dois produtores de algodão do Texas por supostas quebras de contrato.

Um reclamante sustenta que um produtor que se comprometeu oralmente a vender contratos de algodão futuros por US$ 0,89 a libra-peso em setembro "recusou-se a entregar seu algodão como acertado", o que custou US$ 238.666 para a empresa.

Produtores admitem a escassez, mas culpam o mau tempo do outono setentrional passado, que reduziu o rendimento das plantações e dificultou o cumprimento dos compromissos de entrega.

"Tenho grande simpatia pela comunidade de negociantes", afirmou Steve Verett, da Plains Cotton Growers, um grupo de agricultores do oeste do Texas. "Mas tenho certa ressalva quando você deixa alguém chamar anonimamente para reclamar."

Honrar os compromissos de entrega é um risco sempre presente na negociação de commodities com entrega física. Alguns dos mesmos traders no Texas também tiveram problemas na Índia, segundo maior exportador de algodão, depois que o país proibiu as remessas em 2010 para ajudar a indústria têxtil doméstica.

No passado, agricultores também acusaram os compradores de desistir de compromissos.

Após a alta dos preços em março de 2008 ter provocado a quebra da subsidiária nos EUA da comercializadora de algodão Paul Reinhart, os produtores acusaram a empresa de deixar de cumprir contratos de compra, o que lhes custou mais de US$ 70 milhões.

Fonte: Valor Econômico

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Planos da lavoura americana sugerem mais alta dos preços


As sementes de uma alta sustentada no preço dos alimentos estão prestes a ser plantadas no Mississippi, no Nebraska e em outros Estados do cinturão agrícola dos Estados Unidos.
Quando os produtores rurais americanos se preparam para plantar a próxima safra, precisam decidir quanto e o que plantar.
Com os preços subindo exponencialmente, do milho ao algodão e à soja, a safra agrícola americana provavelmente terá uma combinação parecida com a do ano passado, em vez de ser concentrada numa única lavoura em forte demanda, uma mudança que deveria derrubar o preço desse produto.
Ocorreram mudanças significativas nas lavouras nos últimos anos, mas os analistas esperam que surjam apenas mudanças mínimas quando o Departamento de Agricultura dos EUA divulgar no mês que vem um relatório acompanhado atentamente sobre as intenções dos produtores rurais para a próxima safra. Há apenas uma área limitada de terras ociosas que pode ser usada para o cultivo, o que coíbe ainda mais a oferta.
Isso pode ajudar a estender a alta das commodities, que já teve um avanço de 92% nos futuros do milho no último ano, alta de 44% na soja, de 69% no trigo e de 162% no algodão.
[EUA]Steve Jones para The Wall Street Journal
Mike Sturdivant Jr. já vendeu boa parte da safra futura e vai manter a mesma proporção para as lavouras de 2010
Como têm a aumentado as preocupações sobre a oferta mundial de alimentos, as decisões na época da semeadura são cruciais. Os EUA respondem por mais de metade das exportações mundiais de milho e cerca de 40% das de soja, de modo que as decisões de seus agricultores repercutem nos preços em todo o mundo.
Mike Sturdivant Jr. planeja dividir a fazenda da família de mais de 4.000 hectares em Glendora, no Mississippi, entre lavouras de milho, soja e algodão, em praticamente a mesma proporção que em 2010.
"Achamos que estamos garantindo uma chance razoável de lucro", disse Sturdivant, que disse esperar começar a plantar no mês que vem. Ele já vendeu boa parte da futura safra, disse, para se beneficiar das altas antecipadas nos preços.
As atitudes de Sturdivant mostram como a alta das commodities está se retroalimentado e como ela pode derrubar os estoques nos próximos meses. Isso significa que encher as despensas mundiais com níveis adequados vai depender de safras melhores que o normal.
"Você precisaria de safras muito robustas, se não recordes, para alcançar isso", disse Alex Bos, analista agrícola do grupo financeiro australiano Macquarie Group Ltd.
Enquanto a alta das commodities agrícolas ganhava impulso nos últimos meses, surgiram esperanças de safras fartas em outras importantes regiões produtoras, como América do Sul e Austrália, que pudessem aliviar a escassez de algumas lavouras e motivar os produtores americanos a aumentar a produção de outras.
Mas as lavouras de muitos países foram prejudicadas pelo mau tempo, o que manteve a alta geral dos preços.
A demanda persistente também ajudou a corroer os estoques mundiais, usados para garantir um suprimento contínuo de alimentos e proteger o mercado de choques.
O estoque atual de milho é igual a 5% da demanda anual, bem abaixo da média dos últimos 15 anos, que foi de 13,6%, segundo dados do governo americano.
Para restaurar os estoques a um nível normal, os produtores americanos teriam de plantar entre 3,2 milhões e 4 milhões de hectares a mais de milho, calcula Joseph Glauber, o economista-chefe do Usda, como é conhecimento o Departamento de Agricultura dos EUA. Recuperar os estoques de soja demandaria entre 1,2 milhão e 1,6 milhão de hectares a mais.
"Obviamente, são mais hectares do que a área de milho e soja que deve ser plantada este ano", disse Glauber num e-mail.
Os produtores agrícolas americanos transferiram nos últimos anos milhões de hectares de uma safra para a outra. Em 2007, eles plantaram 6,2 milhões de hectares a mais de milho que em 2006, uma alta de 19% — às custas da soja e do algodão —, devido à forte demanda por milho para produção de etanol.
As expectativas são mais modestas este ano. O Macquarie prevê que os produtores americanos vão plantar 36,6 milhões de hectares de milho, ante 35,7 milhões ano passado.
Enquanto isso, o Usda, prevê que os produtores americanos vão plantar 37,2 milhões de hectares de milho. O Usda também prevê 31,6 milhões de hectares de soja, praticamente o mesmo do ano passado. Essas estatísticas são independentes da pesquisa com os produtores que será divulgada mês que vem.
Outro obstáculo para a expansão da oferta é a dificuldade de tornar produtivas novas terras. Demora anos para limpar e preparar grandes terrenos fora dos EUA, como na ex-União Soviética e na América do Sul, disse Bos, da Macquarie.
A persistência da alta — o algodão atingiu a cotação mais alta em termos nominais — pode motivar os produtores a modificar suas lavouras quando tomarem as decisões finais, nas próximas semanas. Mas a flexibilidade deles é limitada em muitos casos. Muitos já venderam parte de suas futuras safras para poder tirar proveito da alta dos preços, como fez Sturdivant.

Fonte: The Wall Street Journal

Acordo do algodão com EUA corre risco

Está em risco o acordo selado entre Brasil e Estados Unidos na "disputa do algodão". O acordo compensa o Brasil pelos subsídios americanos aos seus produtores de algodão e evita uma retaliação milionária do País contra produtos vindos dos EUA. O problema ocorre às vésperas da visita do presidente Barack Obama ao País em março. O deputado Ron Kind, de Wisconsin, está tentando incluir uma emenda no orçamento dos Estados Unidos para eliminar os pagamentos concedidos ao Brasil. Os EUA custeiam um fundo de US$ 147 milhões por ano recebido pelo Instituto de Algodão do Brasil, uma entidade privada que financia pesquisas que ajudam no desenvolvimento da cultura do algodão no País. A compensação é um dos pilares centrais de um acordo selado entre os dois países. O Brasil venceu uma disputa contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC). O xerife do comércio mundial considerou ilegais os subsídios americanos aos seus produtores de algodão. Os Estados Unidos se recusaram a retirar os subsídios e a OMC autorizou o Brasil a aplicar uma retaliação de US$ 829 milhões contra os americanos, elevando tarifas de importação e quebrando patentes. Após extensas negociações, o Brasil aceitou suspender a retaliação até 2012. Em troca, os EUA começaram a pagar o fundo e alteraram parcialmente alguns subsídios. A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos iniciou ontem a votação de um novo projeto de orçamento, fundamental para permitir que o Executivo americano continue funcionando entre 4 de março e 30 de setembro, quando termina o ano fiscal. Se for aprovado na Câmara, o projeto ainda vai passar pelo Senado. O argumento do deputado é que não faz sentido pagar o fundo para os agricultores brasileiros em época de ajuste fiscal. Segundo analistas sediados em Washington, a emenda de Kind tem chances de ser aprovada, porque existe um apelo por corte de despesas nos Estados Unidos por causa da crise. Em uma audiência no Congresso, o deputado já havia cobrado o chefe do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Ron Kirk, sobre o assunto. Ele disse que os EUA não podem continuar "subsidiando" os agricultores brasileiros. Para resolver o problema, Kind defendeu o fim do apoio aos cotonicultores americanos. Retaliação. O governo brasileiro está acompanhando o assunto com atenção. "Se a emenda passar e os pagamentos forem interrompidos, juridicamente o acordo perde o valor. O governo brasileiro deverá então retomar a discussão sobre a retaliação", afirmou ao Estado o embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo. Ele liderou a equipe brasileira na negociação do acordo com os americanos. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que administra o Instituto de Algodão do Brasil, também está acompanhando as discussões no Congresso americano, mas preferiu não se pronunciar. Para Pedro de Camargo Neto, especialista em comércio exterior e um dos mentores do processo do algodão movido pelo Brasil na OMC, o fundo de compensação aos cotonicultores brasileiros deixou um "holofote" sobre os subsídios agrícolas americanos. Os subsídios incomodam uma parcela da opinião pública. "A reação do deputado é um reflexo desse holofote. Está na hora de o Brasil pressionar pelo fim dos subsídios agrícolas em todos os fóruns, inclusive na Rodada Doha", disse Camargo Neto. Segundo uma fonte do governo brasileiro, é até positivo que o assunto reapareça na visita de Obama, porque forçará uma discussão "no mais alto nível".

Fonte: Economia IG

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

WikiLeaks revela 'guerra dos transgênicos'

Estados Unidos é o país maior produtor de transgênicos do mundo


Um novo vazamento de despachos diplomáticos dos Estados Unidos revelou que o governo americano foi orientado a travar uma guerra comercial contra países da União Europeia que se opusessem a alimentos geneticamente modificados.




Segundo o documento revelado ao jornal britânico "The Guardian" pelo WikiLeaks, a embaixada americana em Paris advertiu Washington a iniciar uma guerra comercial "ao estilo militar" em resposta à proibição da França de comercialização do milho transgênico da Monsanto, em 2007. O despacho foi assinado por Craig Stapleton, embaixador em Paris e também amigo e parceiro de negócios com o ex-presidente George Bush.




"Recomendamos a elaboração de uma lista de retaliação que cause alguma dor na União Europeia - já que essa é uma responsabilidade coletiva -, mas também mire os piores culpados", afirma o documento divulgado ontem. "A lista deve ser de longo prazo, já que não esperamos uma vitória tão cedo".




Outros despachos, acrescenta o "The Guardian", mostram que os diplomatas americanos pelo mundo encaram o progresso das culturas geneticamente modificadas como uma estratégia governamental e comercial "imperativa".




O diário britânico afirma ainda que os EUA deveria exercer "particular pressão" sobre os conselheiros do papa, uma vez que bispos de países em desenvolvimento se posicionam "veementemente contra culturas controversas". "As oportunidades existem para pressionar o Vaticano e influenciar um amplo segmento da população europeia e de países em desenvolvimento".




Dados do Serviço Internacional para Aquisições de Aplicações de Biotecnologia (ISAAA, em inglês), organização favorável à tecnologia, os Estados Unidos estão na dianteira de produtos e área plantada com variedades modificadas. Em 2009, plantaram soja, milho, algodão, beterraba, canola e alfafa transgênicos em 64 milhões de hectares. O Brasil está em segundo lugar, com 21,4 milhões de hectares de soja, algodão e milho.




As culturas transgênicas são controversas devido à falta de uma série histórica científica que aponte seus possíveis impactos no ambiente e na saúde humana.




Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

EUA fazem primeiro depósito na conta do novo Instituto Brasileiro do Algodão

Entrou na conta do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) a primeira parcela do total que terá de ser depositado pelos Estados Unidos como efeito de compensação pelos bilionários subsídios concedidos a seus produtores de algodão. O IBA, entidade criada para gerir a aplicação desses recursos, recebeu US$ 95 milhões no dia 22 de dezembro, a primeira tranche de um valor anual de US$ 147,3 milhões que será depositado nos próximos dois anos.


Esse é o primeiro efeito prático do vitorioso contencioso que o Brasil iniciou há oito anos na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios americanos. Pelo acordo feito entre os dois países, o fundo compensatório receberá US$ 12,3 milhões por mês. Ao fim dos dois anos do acerto, que manteve congelada a retaliação autorizada pela OMC, os produtores terão recebido US$ 294,6 milhões dos americanos.


A Fundação Dom Cabral foi contratada para realizar o planejamento estratégico para aplicar os recursos, assim como assessorar na estruturação da governança e da controladoria do instituto, segundo explica Haroldo Cunha, presidente do IBA e ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).


O instituto tem como foco investir os recursos prioritariamente em projetos de infraestrutura e de combate a pragas e doenças que afetam o algodão. Os produtores planejam, ainda, financiar campanhas de promoção comercial e de marketing para incentivar o uso do algodão brasileiro. O detalhamento dessas demandas será feito a partir de janeiro, explica Cunha. "Nossa expectativa é de que entre março e abril os primeiros projetos já estejam sendo executados", afirma o executivo.


Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Brasil e EUA fecham acordo sobre algodão

A aplicação das retaliações pelo Brasil contra os Estados Unidos, por concessão de subsídios à produção e à exportação de algodão, ficará suspensa até o final de 2012 sob a condição de o governo norte-americano fixar um teto anual para os gastos com programas de subsídios para o algodão e iniciar processo de adequação nos prazos e taxas do programa de GSM (Garantias de Crédito à Exportação) até a reforma da lei agrícola dos EUA daqui a dois anos.


Estas condições fazem parte de um acordo fechado entre os dois países e aprovado hoje (17) pela Camex (Câmara de Comércio Exterior). Na próxima terça-feira venceria o prazo de 60 dias, estabelecido pelo Brasil, para fechar com os EUA um cronograma para retirada dos subsídios. A OMC (Organização Mundial do Comércio) condenou esta prática e autorizou o Brasil a aplicar uma retaliação no valor de US$ 829 milhões.


Fonte: Diário do Grande ABC

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Preço da terra sobe nos EUA e gera temor de nova bolha

Os preços das terras para agricultura voltaram a ter forte alta nos Estados Unidos. Será que estamos nos aproximando de uma nova rodada de shows de Willie Nelson para socorrer o setor?


Colheita de soja no oeste de Vermillion, no Estado de Dakota do Sul terras atraem investidores institucionais e agricultores que querem ampliar atividade


A onda de alta das terras traz à memória a crise das dívidas agrícolas dos anos 80, quando agricultores pegaram empréstimos enquanto os preços das propriedades disparavam, para depois deparar-se com o estouro da bolha e as resultantes execuções de propriedades. As dificuldades dos agricultores levaram vários músicos, encabeçados por Nelson, a realizar os grandes concertos "Farm Aid", de auxílio aos agricultores.


As terras agrícolas voltaram a ser uma commodity atraente - apesar das dificuldades no setor imobiliário. As terras vêm atraindo desde investidores institucionais e donos de grandes fortunas a agricultores. Muitos investem em fundos de terras para cultivo, enquanto alguns agricultores procuram expandir suas operações.


"Simplesmente ficou algo atraente nos últimos tempos", afirma Shonda Warner, sócia-gerente da Chess Ag Full Harvest Partners, que tem um fundo com cerca de US$ 50 milhões investidos em terras agrícolas em quatro Estados.


O valor da terra na importante área ao norte do Meio-Oeste dos EUA subiu 10% no terceiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2009, segundo o Federal Reserve Distrital de Chicago. Outra agência regional do banco central, a de Kansas City, informou que o preço das terras agrícolas irrigadas aumentou 12% no Kansas e em Nebraska no mesmo período. Essas altas acontecem depois de um aumento de 55% em termos reais ao longo dos últimos dez anos.


Os investidores despejam dinheiro não apenas nos melhores solos dos EUA, mas também em áreas agrícolas importantes no exterior. Alguns esperam que a terra se valorize. Outros apostam que os países de maior crescimento econômico terão de importar mais alimentos para atender suas populações, cada vez mais ricas, o que elevará a renda gerada pelas terras.


Em outubro, o Teachers Insurance & Annuity Association of America, parte do gigantesco fundo de pensão Tiaa-Cref, basicamente de professores, comprou o Westchester Group, que já administrava parte dos investimentos do Tiaa em terras. O Tiaa tem quase US$ 2 bilhões investidos em mais de 400 fazendas nos EUA, América do Sul, Austrália e Leste Europeu.


A George Washington University, em Washington, começou a comprar em 2007 e agora tem US$ 80 milhões investidos em terras cultiváveis. Do total, 25% estão nos EUA e o restante no exterior - incluindo investimentos em um fundo que arrenda terras na Polônia.


O Luminous Capital, empresa de consultoria em investimentos em Los Angeles e Menlo Park, Califórnia, que atende a donos de grandes fortunas, aplicou US$ 45 milhões do dinheiro de seus clientes em um fundo que planeja comprar 20 a 25 fazendas produtoras de milho, algodão e trigo.


"Acreditamos que os mercados emergentes continuarão a crescer em riqueza", diz Kim Ip, que administra a carteira de investimentos em terras da Luminous. Isso significará alta no consumo de carne, o que, por sua vez, levará à demanda maior por GRÃOS para ração.


As fazendas nos EUA estão bem posicionadas para se beneficiar da forte demanda mundial pelas principais culturas, pois produzem bem mais do que os americanos consomem. Fornecerão mais da metade das exportações mundiais de milho e mais de 40% das exportações de soja e algodão nesta safra, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).


As exportações podem ajudar os agricultores a ganhar receitas significativas, particularmente num momento de preços em alta. As cotações dos GRÃOS subiram neste verão setentrional, após a dura seca na Rússia, que levou o país a proibir as exportações de trigo. Os preços do milho e trigo avançaram mais de 65% recentemente desde as baixas de junho, enquanto a soja subiu quase 40%.


A terra para agricultura nos EUA também está ficando mais escassa, o que pode impulsionar seu valor. A área de terra que pode ser trabalhada diminui de forma constante há mais de meio século, de 1,2 milhão de acres em meados dos anos 50 para menos de 920 milhões de acres em 2009, segundo o USDA.


A agricultura, no entanto, caracteriza-se por ser um negócio arriscado. Investidores de fora do setor normalmente recorrem a arrendatários ou empresas de gestão para administrar o dia a dia das propriedades, o que aumenta o valor dos agricultores mais capacitados. As lavouras também estão expostas aos caprichos da natureza.


"O maior risco é operacional", afirma Don Lindsey, chefe de investimentos da George Washington University. Ele tenta mitigar o risco de investir em regiões diferentes sob o comando de administradores também diferentes.


Os altos preços aumentam o risco de que os compradores estejam pagando excessivamente, diz Jim Grant, editor do boletim financeiro Grant"s Interest Rate Observer. "Tenho preocupação com os agricultores mais idosos de Iowa que estão comprando 80 ou 100 acres de seus vizinhos porque as taxas de juros estão extremamente baixas", afirmou em um discurso no mês passado, em Cingapura. E também há a possibilidade de o valor das terras despencarem de novo.


O secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, diz que a situação agora é diferente. "Não acho que estejamos vendo uma bolha, simplesmente porque acho que as pessoas vêm sendo bem mais conservadoras com as dívidas", diz.


De qualquer forma, a crise recente leva as autoridades a observarem a situação de perto. "Não queremos que se torne um problema", afirma Richard Brown, economista-chefe do Federal Deposit Insurance Corp., que monitora as instituições de crédito.


A Farm Aid, organização que surgiu a partir dos concertos originais, e da qual Nelson continua presidente do conselho, vem focando seus recentes esforços em outras preocupações do mundo agrícola, segundo uma porta-voz. Mas "estamos definitivamente observando a situação", acrescenta.

Fonte: Olhar Direto